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Usando
Figuras para fazer constelações familiares com clientes
individuais
Jakob Schneider
As constelações de famílias e outros sistemas se tornaram bem
conhecidas em um contexto de grupos. Este trabalho e as áreas de
soluções psicoterapêuticas orientadas sistemicamente e
fenomenologicamente tem alcançado uma significância fundamental
nas áreas psicosociais e tem tido também efeitos em varias
abordagens na terapia individual.
Há muitos terapeutas e conselheiros trabalhando em situações nas
quais não existe permissão para o trabalho de grupo com
constelações. Há também alguns que não se sentem confortáveis ao
trabalhar no contexto de um grupo. Além do mais, num nível
profundo, muitos desses terapeutas se sentem atraídos para os
conceitos subjacentes e ferramentas do trabalho de constelações
e estão buscando modos de integrar esta abordagem em seu
trabalho com indivíduos, casais e famílias e talvez mesmo em
pequenos grupos de supervisão.
O trabalho de constelações com figuras ou objetos oferece um
método direto e simples. As figuras, representando membros da
família ou pessoas importantes do sistema em particular, são
arranjadas numa mesa ou dentro de um espaço definido do local de
trabalho.
As figuras
O que se segue é baseado em minha experiência pessoal com
constelações de figuras. Desde o início após minha primeira
experiência com as constelações familiares de Bert Hellinger e
minhas primeiras tentativas de trabalhar com esse método em
grupos, eu tomei uma bolsa com figuras playmobil de meu filho
que há muito tempo ele havia posto de lado. Eu comecei a
carregá-las comigo a todos os lugares onde não havia o apoio de
um grupo para meu trabalho de aconselhamento e terapia. Esses
lugares incluíam um centro de aconselhamento para casados e
famílias, uma clinica psicossomática, pequenos grupos de
supervisão, e minha própria prática privada.
Eu fui compelido de certa forma a agir dessa forma. Após minha
primeira experiência com constelações familiares em grupo e já
estava certo que este era "meu" método e "meu" modo de fazer
terapia, seja em grupos ou com indivíduos. Alcançar isso pelos
playmobil foi algo que aconteceu naturalmente, sem muita
consideração previa. Elas estavam simplesmente disponíveis,
praticas, e fáceis de carregar, e havia apenas mínimas
diferenças entre elas, simplesmente, homens e mulheres com
algumas combinações de cor. Graças aso céus eu não pedi a
ninguém sobre isso naquela época pois eu fui capaz de ganhar
experiência com as figuras sem qualquer opinião ou objeção
externa. Naqueles dias, eu não estava nem mesmo seguro que você
poderia ainda comprar as figuras playmobil simples mas isso não
era tão terrivelmente importante que tipo de figuras eram
usadas, Havia, por exemplo, um assim chamado "quadro familiar"
com figuras de madeira que está agora no mercado. Há alguns
critérios que eu considero importante na escolha das figuras:
- Elas devem ser figuras com as quais o terapeuta possa
trabalhar confortavelmente. Não se preocupe se o s clientes
aceitarão as figuras. Se o método e as ferramentas estão certas
para o terapeuta, os clientes sempre virão.
– As figures deverão ter o mínimo de "personalidade própria"
possível, deste modo mantendo-se tão livres de pré-conceitos
quanto possível e também reduzindo qualquer distração daquilo
que não é essencial. As figuras não são importantes por si
mesmas, mas apenas como projeções espaciais dos membros do
sistema. Trabalhando com figuras é mais fácil se elas permitem
algumas poucas distinções básicas, como por exemplo, entre
homens e mulheres, algum modo de indicar em que direção a figura
está olhando e talvez cores, ou alguma marca que permita
distinguir uma pessoa da outra. Usando figuras menores para
crianças pode ser uma forma de distração À medida que isso
sugere uma orientação para uma referência temporal que se afasta
da qualidade "atemporal" do trabalho de constelações.
Experiência anterior com grupos de constelações
Eu, por mim mesmo, trabalhei primariamente com grupos e meu uso
das figures no trabalho individual é baseado totalmente em meu
trabalho com grupos de constelação. Eu acredito que precisamos
de experiência com grupos de forma a trabalhar com competência
usando constelações de figuras. Essa experiência não precisa ser
de trabalhar diretamente com grupos fazendo constelações. Eu
recomendaria experiência com uma constelação pessoal em um
grupo, e observação de constelações sistêmicas em grupos, ou
vídeos daquelas que possam fornecer algumas impressões de como
elas são. Eu conheço terapeutas e conselheiros que trabalham com
figuras sem terem nem mesmo liderado um grupo de constelações,
mas eu não sei de ninguém que tentaria trabalhar com figuras sem
ter ao menos visto uma constelação em grupos.
Na próxima sessão eu entrarei em detalhes sobre quando uma
constelação com figuras é apropriado e como eu procedo em uma
sessão individual quando eu estou usando uma constelação de
figuras, como eu a introduzo ao cliente e como eu trabalho com a
constelação de figuras. Eu então irei mostrar os riscos e as
oportunidades inerentes a este método e finalmente eu direi algo
sobre constelações de figuras e a "alma" do trabalho e o valor
da abordagem a esse respeito.
O lugar da constelação com figuras na terapia
Aconselhamento e terapia estão preocupados com apoiar um
processo que se move em direção a uma solução. Tais processos
podem aparecer em uma variedade de formas.
Primeiramente, há os problemas que podem ser resolvidos pelas
mudanças de comportamento, através de aprendizagem, criatividade
espiritualidade. Aqui a preocupação em uma certa extensão é com
algum tipo de atividade mental que libera o cliente de pensar e
agir de formas que bloqueiam a solução.
Então há a área do trauma, as feridas profundas que usualmente
tem a ver com a ruptura do amor, o movimento interrompido em
direção à mãe , ao pai, outras pessoas importantes, ou para com
a vida em si mesma. Tais injúrias traumáticas muito
frequentemente advém de experiências muito precoces na infância.
Elas podem ser resolvidas por um processo retroativo de cura na
alma entre a criança e uma outra pessoa essencial na vida desta.
Finalmente, há uma ampla área de ligação e liberação nas
relações. Problemas advém das profundas ligações das pessoas com
o destino da comunidade, e as conseqüências que se seguem,
primariamente dentro da família e da família ampliada. A solução
é encontrada através do reconhecimento das ordens do amor.
O trabalho de constelações é focado nos processos de vínculo e
liberação da alma. Soluções emergem através do olhar para a
integridade do sistema de relações.Todo mundo no sistema tem um
igual direito de pertencer e tem de ser permitido tomar seu
próprio lugar de direito. Todo mundo carrega seu próprio destino
por si e tem de se refrear de meter-se no destino dos outros, e
todos os membros do sistema tem que permitir que aquelas coisas
que aconteceram no passado pertençam realmente ao passado. Isso
tem a ver com a vida e com a morte, boa e má sorte, saúde e
doença, sucesso ou fracasso nas relações, pertinência e
exclusão, dar e receber, recompensa e dívida, e
auto-determinação como um contraponto a ser um instrumento,
sujeito às influências do sistema.
Em essência, há também o critério que indica quando uma
constelação familiar deve ser um método útil: quando quer que
haja algo na "alma do grupo" que quer ordem, paz e conclusão;
quando emaranhamentos estão impedindo um processo de solução; ou
quando um destino difícil em uma família está gerando um fardo.
Procedimentos com Constelações de figuras
Muitos terapeutas e conselheiros vão querer integrar as
constelações familiares usando figuras em seu próprio modo de
trabalhar com sua própria orientação terapêutica básica. Para
mim, quando há questões de vínculo e desenlace, eu normalmente
faço só uma sessão na qual o trabalho é concentrado plenamente
na constelação com figuras. Há , contudo, muito certamente uma
ampla variedade de procedimentos. Há certos elementos que são
importantes no prosseguir com uma constelação de figuras. Assim
como em uma constelação de grupo, é essencial em uma sessão
individual que a constelação esteja lidando com uma questão
séria e seja carregada pela energia do cliente. O terapeuta é
dependente desta energia que leva em direção à solução e o "peso
da alma" da questão do cliente. Como ponto inicial, perguntas
sobre a natureza da questão em tela e então sobre qual seria um
boa resolução trazem clareza e força que são críticas ao sucesso
de uma constelação familiar. O terapeuta e o cliente precisam
saber desde o início para onde devem dirigir sua energia. Ambos
tem de ter algum sentido da "alma grupal" que conduz seus
esforços em busca de uma boa solução.
A questão real do cliente é frequentemente oculta no início da
sessão individual, como está também a força que deve ter um
efeito positivo na solução. Uma orientação é necessária no
trabalho com constelações e o processo na alma que apóia este
trabalho. Essa orientação deverá ser mais curta, levando
imediatamente para fora de qualquer questões , ou distrações,
evitando dispersar a atenção e energia em direção aos processo
familiares fundamentais e construindo confiança para um trabalho
conjunto. Eu usualmente comento brevemente sobre meu modo de
trabalhar, sobre emaranhamentos nos sistemas familiares, crises
nas relações e sobre coisas que nós iremos procurar. Se eu já
tenho alguma idéia onde nosso trabalho poderá ser orientado eu
direi uma ou mais estórias apropriadas a partir de outros casos
anteriores que eu já trabalhei antes. Se eu não tenho a menor
idéia de qual direção o trabalho irá, algumas vezes será útil
oferecer uma mistura de exemplos curtos e prestar atenção à
reação do cliente. A base para um passo que resolve em uma
constelação é construída a partir da informação relevante: os
eventos mais relevantes na história da família, a família de
origem ou a família atual, os destinos naqueles da família ou do
clã. Esta informação e o modo como os clientes compartilham–na
freqüentemente levam a um profundo movimento através das
relações do sistema e a primeira vista um amor que atua, a um
respeito e a emaranhamentos. Ou, você pode sentir imediatamente
que informação tem força e qual não tem. Se algo é importante e
foi omitido, ou se o cliente não tem uma informação crítica.
Essa troca de informação é dialógica e ambos o cliente e o
terapeuta precisam ter contato com a "alma do grupo". O processo
reside no essencial e existe a serviço da solução. Ela pode ser
alcançada só com respeito e consentimento relativos aos eventos
e fatos envolvidos.
O nucleio da orientação do trabalho sistêmico é a imagem da
constelação em si mesma: encontrar – permitindo a si mesmo ser
tocado por – as dinâmicas das relações do sistema, rearranjando
as posições das figuras na "imagem de solução" e falando as
sentenças apropriadas de vínculo e liberação.
Introduzindo as constelações com figuras
Quando alguém já tem visto ou experimentado com constelações
familiares em grupos ou já conhece os livros ou vídeos de Bert
Hellinger, uma constelação com figuras raramente necessita de
uma introdução. Você simplesmente pode pedir ao cliente para
posicionar os membros de sua família com as figuras. Aqui também
, contudo, assim como com as pessoas não familiarizadas com as
constelações familiares, eu me refiro ao trabalho em grupo com
constelações e descrevo brevemente o curso de uma constelação em
um grupo. Pelo menos para mim, isso simplifica o trabalho se eu
trabalho com figuras com numa constelação com representantes.
Após eu ter estabelecido a conexão entre a constelação com
figuras e a constelação em grupos, eu determino com o cliente
que pessoas são importantes – ou pelo menos inicialmente
importantes – para a constelação, e coloco as figuras
necessárias na mesa. Então , eu peço ao cliente que posicione as
figuras em relação uma à outra, sem falar ou explicar, de acordo
com uma imagem interna, sem ligar para qualquer tempo
específico, sem qualquer justificativa, mas simplesmente de tal
forma que ele sinta que é apropriada. Na maioria das vezes, os
clientes podem posicionar a constelação sem nenhuma dificuldade.
Quando surgem problemas, eles não são diferentes do que acontece
num grupo. Pode não ser o momento certo de fazer uma constelação
porque o cliente não tem ainda a prontidão interna necessária,
ou não confia no método ou no terapeuta ou o que é realmente o
tema é uma constelação de um sistema diferente, talvez a família
de origem ao invés da família atual, ou vice-versa. Isso revela
uma das grandes desvantagens da terapia individual quando
comparada com a terapia em grupos. Em um grupo você pode
trabalhar primeiro com aqueles que estão prontos. Outros que
podem estar reticentes, indecisos ou em dúvida podem entrar no
trabalho lentamente através do processo na constelação dos
demais ou atuando como representantes no sistema familiar dos
outros participantes. Eles podem tomar tempo para o seu próprio
processo interno. Se isso se provar difícil, que alguém coloque
as figuras umas em relação às outras, eu algumas vezes faço isso
para ele ou ela de acordo com o que me parece apropriado com as
informações que eu tenho. Eu então peço ao cliente que "corrija"
a minha constelação. Se você tem a impressão que a constelação
está sendo posicionada com alguma idéia ou se isso não bate de
alguma forma com as informações dadas, ou se todas as figuras
são colocadas em linha viradas de face para o cliente na mesa,
você deve solicitar à pessoa que verifique o posicionamento
novamente. A Dificuldade mencionada por último, as figuras
colocadas em linha, ocorre repetidamente, mas é facilmente
corrigida. Relembre o cliente que ele ou ela já está
representado por uma figura e que a constelação tem de refletir
a relação de cada pessoa com as demais da família.
Trabalhando com constelações de figuras
Uma constelação de figuras serve para revelar os emaranhamentos
do cliente no seu sistema familiar e tornar os vínculos e as
soluções claros. Isso permite ao indivíduo tomar uma posição
apropriada na sua rede de relações, uma posição a partir da qual
seja possível tomar, honrar e respeitar ambos os pais. Isso
permite à pessoa deixar algo ou alguém ir com amor, ver quem tem
de ser permitido ir em paz, e tomar de volta todos que tenham
sido excluídos de uma forma apropriada no sistema e no coração
do cliente.
As dinâmicas de vínculo e solução têm de se tornar claras pela
constelação com figuras sem o apoio dos sentimentos e
depoimentos dos representantes, pois as figuras não podem sentir
ou falar. Fica a cargo do terapeuta ou conselheiro, usar a
constelação com figuras para sentir e expressar os sentimentos
que refletem as dinâmicas familiares presentes dentro do
sistema. Naturalmente, você pode pedir que o cliente faça isto
por si mesmo, o que algumas vezes resulta em uma súbita
experiência do tipo "Aha!". Em minha experiência, contudo,
clientes estão freqüentemente cegos às dinâmicas essenciais de
suas famílias. Eles trazem um entendimento inconsciente ao
processo ou eles não seriam capazes de posicionar uma
constelação propriamente e o terapeuta não seria capaz de obter
uma percepção do sistema, mas esse conhecimento inconsciente é
oculto. A tarefa do terapeuta, daquele que observa de fora, é
ajudar a "alma de grupo" do cliente a abrir-se de tal forma que
aquilo que está oculto seja revelado e possa ser dito
abertamente. Já desde o começo, eu apresento o conceito de
constelação em grupos como nosso trabalho ideal e baseio meus
comentários sobre as dinâmicas familiares no processo em grupos.
Como uma pessoa que olha a partir de fora, eu proclamo os
sentimentos para cada membro da família em cada posição
particular. Isso quer dizer, eu não digo como os membros da
família eles próprios se sentem naquela posição, mas o que os
representantes provavelmente diriam sobre os sentimentos naquela
posição. Eu faço isso porque isso dá ao cliente alguma distância
de sua experiência dominante com os membros da família e porque
isso deixa a mim e ao cliente mais liberdade para experimentar e
tomar aquilo que pode ser visto na constelação. Isso também
torna mais fácil para eu corrigir o que tem sido dito para
contornar possível resistência. Se o que eu digo sobre a
dinâmica familiar e os sentimentos dos representantes "encaixa"
e toca em algo do cliente ele estará em contato com sua família
em um estado de transe de maior ou menor grau.
Por assim dizer, eu presto atenção à reação do cliente. Algumas
vezes eu pergunto se meu modo de sentir as coisas parece correto
e faz sentido para o cliente. Quando tenho sucesso em penetrar
dentro do sistema e suas dinâmicas, o cliente está ganho e
usualmente nada mais fica entre nós no caminho até uma boa
solução. Não é incomum que um cliente pergunte, atordoado, "Como
você sabe disso?".
Na próxima fase, eu continuo a trabalhar com as figuras assim
como nas constelações em grupos. Eu mudo as posições das
figuras, eu digo em voz alta que mudanças ocorrem nas dinâmicas
e nos sentimentos, até que nós possamos ver aquilo que está
tentando se revelar por si mesmo. Eu continuo dessa forma até
que nós cheguemos a uma imagem de solução. Quando eu estou
certo, porque meus próprios sentimentos se deixam tocar assim
como aqueles do cliente, eu simplesmente permaneço com aquilo
que emerge e falo isso em voz alta. Se eu não sinto que está
certo, eu interrompo o processo e pergunto o que o cliente está
sentindo, em termos de si ou de outros membros da família, ao
olhar para os movimentos das figuras. Eu peço informação
adicional ou tento diferentes posições das figuras para
determinar o que parece mais correto. Eu continuo até que as
dinâmicas e a solução sejam reveladas com clareza suficiente.
Eu peço ao cliente para sentir-se na posição de solução e
relatar seus sentimentos. Eu observo para ver se nesse lugar há
um alívio para o cliente e se isso parece curar, resolver ou
tornar mais leve. Eu algumas vezes paro a constelação com
figuras nesse ponto.
Eu frequentemente uso as sentenças de solução que seriam ditas
numa constelação em grupo quando o cliente substitui seu
representante na constelação, ou uma sentença que um
representante possa dizer diretamente ao cliente. Eu faço isso
quando um cliente está experimentando dificuldade em tomar seu
próprio novo lugar no sistema ou quando a solução a qual nós
temos chegado ainda não "assentou" ou parece precisar de mais
esclarecimento ou aprofundamento.
Frequentemente, a parte mais importante do processo em uma
constelação com figuras – como numa constelação em grupo – é ser
tocado pelas sentenças que revelam os profundos vínculos e o
alívio e liberação nas frases de força. Eu freqüentemente peço a
um cliente para falar as palavras apropriadas, silenciosamente
ou em voz alta, e imaginar-se fazendo, ou realmente fazer, os
gestos que acompanham tais frases, por exemplo, um movimento de
reverência.
Se acontecer que eu não consigo sentir o meu caminho através das
dinâmicas do sistema, se eu não tenho nenhum sentimento pelos
membros da família representados pelas figuras ou das dinâmicas
do sistema, ou se o cliente permanece intocável pela minha
"imagem" da rede de relações, então eu interrompo o processo da
constelação e obtenho mais informação, conto estórias curtas ou
simplesmente paro o trabalho.
Riscos e oportunidades nas constelações com figuras
Os risco e erros que podem ser causados ao se fazer uma
constelação com figuras são basicamente os mesmos que se
apresentam quando fazemos constelações em grupos:
- Que você está trabalhando sem que o cliente esteja totalmente
pronto para trabalhar e sem a força do cliente;
- Que você está seguindo algum padrão pré-determinado que não
permite que aquilo que é novo e diferente surja.
- Que você está trabalhando com excesso de informação, ou está
perdendo informação crítica;
- Que você está sendo influenciado por padrões visuais e
associações que não estão em harmonia com a alma.
A principal desvantagem quando comparado a uma constelação em
grupo é que um terapeuta pode frequentemente encontrar dinâmicas
sistêmicas ocultas através de afirmações bastante surpreendentes
dos representantes. Especialmente em casos difíceis, com
dinâmica novas e incomuns, isso é crítico. Por exemplo, se uma
pessoa no sistema está sendo levada a ir no lugar de outra, isso
é freqüentemente algo que não fica imediatamente claro numa
constelação. É o relato dos representantes que pode fornecer
indicações dessa dinâmica. Se um terapeuta tem uma suspeita
sobre algo desse tipo, é mais fácil checar isso num grupo. A
energia e participação dos membros do grupo que observam a
constelação também dão importantes indicações sobre a acurácia
das hipóteses levantadas.
Essas dificuldades, contudo, não são críticas. As dinâmicas da
"alma de grupo" do cliente não são reveladas pelos
representantes, mas pela alma do cliente. Em uma situação de
atendimento individual você também pode sentir a força quando
uma hipótese traz algo essencial à luz. O último critério é o
sentimento de harmonia e de se sentir tocado, percebido tanto
pelo cliente como pelo terapeuta. Isso pode ser muito
surpreendente numa constelação com figuras. O terapeuta vê a
solução através da compreensão do cliente. Compreensão significa
introjetar aquilo que emerge da profundidade oculta. A antiga
palavra grega para verdade significa aquilo que não está oculto
à visão. As coisas que se desemaranham e resolvem usualmente vem
inesperadamente e calmamente. Elas tocam, servem à paz e elas
favorecem à ação. Elas honram todos e são benéficas a todos no
sistema.
As constelações de figuras também oferecem uma oportunidade,
quando um terapeuta ou conselheiro não se sente competente para
manejar um processo em grupo. Uma constelação em grupo pode
tomar uma dinâmica por si mesma que não mais serve ao sistema do
cliente se está faltando uma visão clara, uma percepção precisa,
e certa qualidade de liderança do terapeuta. Uma constelação de
figuras também evita o perigo dos representantes trazerem para
dentro dela seus próprios problemas pessoais. O preço pelo
controle desse aspecto é que haverá menos controle sobre os
prejuízos e pontos cegos do terapeuta, e num atendimento
individual, um terapeuta é mais vulnerável aos caprichos do
cliente, que podem ser algumas vezes consideráveis.
Constelações com figures e o trabalho na Alma
Em constelações de grupo, aqueles que são posicionados na
constelação estão ressonando a alma do sistema. Figuras não
podem fazer isso. Elas permanecem como objetos representativos
que funcionam para o olho da mente. Você não precisa pedir às
figuras que saiam de seus papéis ao final da constelação.
Uma constelação de figuras pode ser limitada a uma representação
visual, que era como eu trabalhava nos meus primeiros anos com a
técnica. As figuras forneciam uma ponte visual, um resumo
gráfico do que havia sido discutido, um método que talvez
permitisse sugestões indiretas. Tudo isso pode ser muito útil,
mas uma constelação com figuras pode oferecer mais. É
surpreendente o quão rapidamente ela estabelece um espaço para a
alma na qual a "alma do grupo" pode ressonar. Essa ressonância é
efetuada pelo terapeuta e pelo cliente. O trabalho de
constelação não é apenas trabalhar com imagens visuais. Ele toca
e move porque oferece espaço para as imagens. Imagens
espacialmente representadas são diferentes de imagens planas
bidimensionais, não só por fornecerem as dimensões corretas para
as relações, mas mais importante que isso, ao permitirem que
algo surge para fora da imagem, algo difícil de descrever que
não é visível através de um simples olhar para a imagem. O que
surge é como um campo de ressonância.
A ressonância do cliente e do terapeuta com a "alma do grupo" e
suas dinâmicas não vem das figuras, mas através delas. Ao mesmo
tempo, uma constelação com figuras apóia um processo terapêutico
que é externalizado e levado a partir de idéias e pensamentos
internos. Ele vive mais perto da realidade do que simplesmente
"falar a respeito". A surpreendente profundidade dos sentimentos
de ser tocado não vem só da constelação. A "ressonância" é
também conectada às palavras: a palavras que refletem verdades
básicas, a palavras que trazem clareza, a palavras que ligam e
palavras que desemaranham, a palavras de amor e força. As
experiências profundamente tocantes também emergem dos gestos,
uma expressão física dos movimentos da alma. Trabalhar com
figuras tem um efeito profundo só quando vai além dos aspectos
visuais para o campo da rede de relações, quando ao poder desse
campo é permitido penetrar e abrir os diálogos e gestos que
curam.
O valor das constelações com figures como método
Qualquer um que esteja convencido da profundidade de alcance dos
processos em sistemas familiares e na alma pode também de fato,
trabalhar em direção a solução sem constelações, grupos de
figuras, só através de um consciência dos fatos essências e
destinos, estando em harmonia com a alma da pessoa que busca
ajuda na procura por compreensão.
Normalmente, contudo, tais métodos fazem o trabalho do terapeuta
mais fácil e também dão ao cliente acesso a aquilo que é
essencial e critico. Isso coleta informação, estrutura os
procedimentos e foca a atenção. Usando as constelações, é mais
fácil para o cliente e o terapeuta experimentar estar num
caminho conjunto, abrir ao que possa emergir das profundidades
ocultas. Eles se juntam em um espaço da alma do cliente, só o
tanto necessário para achar uma solução. Em uma constelação de
figuras e em uma imagem de solução, o cliente experimenta algo
que pode ser levado para casa, -- algo que continua a trabalhar
na alma e frequentemente só se desdobra plenamente em seus
efeitos plenos após um certo período de tempo.
Talvez seja algo similar a uma apresentação teatral. Só ler a
peça pode me manter falando, mas a apresentação no teatro é
usualmente uma experiência mais profunda e mais impressionante.
Isso é verdade, contudo, só quando permanece fiel ao coração da
peça, à realidade, e a uma transformação na audiência.
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